Montanhas são mágicas

por Christiane Lemos

“Correr me inspira! Me motiva! Correr nas montanhas me faz ir além!

Estamos muito condicionados a uma vida urbana, ao asfalto e ao concreto e por vezes não nos damos conta da energia da natureza. Há alguns anos eu e meu parceiro, Kener Assis, passamos a desfrutar de atividades em trilhas: o famoso trekking. Visitamos lugares maravilhosos como Serra do Cipó, Parque Três Picos, Pedra do Baú, Ibitipoca, Aiuruoca, entre outros, onde caminhamos curtindo o que a natureza nos oferece.

Como já corríamos provas de 10, 21 e 42km, ficamos motivados a debutar na “Corridas de Montanha” , e escolhemos a etapa de Teresópolis. Chegamos na cidade no sábado (24) e fomos direto pegar o kit e as orientações. Nossa principal preocupação era com as possíveis chuvas no dia da prova, ou suas consequências do volume que já havia caído nos dias anteriores.

No domingo, 25, acordamos cedo e após um breve café da manhã partimos para o local do evento: Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis. Por ser a primeira experiência em corridas de montanhas confesso que estava preocupada com o que poderia dar errado. Até pensar em me perder na trilha me passou pela cabeça (risos). O Kener me olhou “de lado” e disse: ‘relaxa, não vamos nos perder. Nosso objetivo é a diversão e chegarmos sem problemas’.

O local é maravilhoso! Muito verde, montanhas incríveis e visual esplendoroso! Um clima super agradável com cerca de 300 atletas e organização impecável. Nos preparamos para a largada e vieram as últimas orientações do locutor: a distância curta foi aumentada de 8 para 9k (que na verdade foram 12,5K…). Essa alteração se deu em função das chuvas nos dias anteriores, onde uma trilha de descida estava muito encharcada e trazia riscos.

Eu e Kener nos olhamos…rimos…e foi dada a largada!

Como previsto começamos de forma conservadora no trecho inicial plano. Encaixamos o ritmo e prosseguimos. A medida que surgiam as subidas alternávamos entre correr e caminhar rápido (precisamos evoluir nos treinos específicos).

A parte mais intensa veio no km 4,5. Entramos em uma trilha que a cada metro ficava mais íngreme, estreita e escorregadia. Uma canaleta na vegetação fechada onde a atenção era máxima para que não tivéssemos quedas. Ficamos imaginando os favoritos passando ali correndo! Para nós impossível correr!

Passamos a interagir com outros atletas, e fomos unanimes em afirmar que a organização da prova havia caprichado na escolha do percurso. Só essa “subidinha” levou uns 30 minutos! Ao final da trilha em aclive, saímos em uma estrada onde um staff nos indicou a direção (toda demarcada com fitas azuis) e nos disse: agora é só ladeira abaixo!

Lá fomos nós!!!!

Correr montanha abaixo também reque preocupação pois os joelhos sofrem, e se você não for cuidadoso pode vir a se lesionar. Como o nosso propósito era a diversão descíamos em uma velocidade conservadora desfrutando do lindíssimo visual, parando para fotos e vídeos.

Ao longe víamos nosso destino, a sede do Parque, e administrávamos o esforço. Ultrapassamos algumas pessoas que certamente exageraram no início e agora caminhavam na descida. Chegamos no plano e faltavam somente 2K e nossa vitória era certa.

Um misto de satisfação, superação e gratidão nos invade. Temos a certeza de que todo esforço valeu à pena. Todo estresse de nossa vida profissional, a tensão de se viver na cidade urbana, as dúvidas e preocupações sobre a prova…tudo isso já não existia naquele momento.

Já ouvíamos a voz do locutor e a música da chegada! Entramos no Parque é lá estava o portal nos esperando!

Chegamos!!! Felizes e de mãos dadas, seguidos de um vitorioso abraço apertado e um beijo de comemoração!!

Na mente uma única certeza: faremos mais corridas de montanha!”