O desafio e o prazer de correr na Chapada Diamantina

Edvaldo Santos Ferreira, de 40 anos, mora em Ibicoara-BA. Com frequência pode ser visto correndo pelas trilhas da Chapada Diamantina, onde é conhecido como Kbeça. Oriundo das corridas de rua, ele corre em trilhas e montanhas há cinco anos. Confira!

“Eu já corria em rua e fui passar uns dias em Igatu para conhecer a cidade. Conheci o Luis Paulo do Hostel Igatu, que é um fomentador de esportes de montanha. Depois de algum tempo ele me convidou para participar de uma prova que ia ter na cidade. Até então não havia provas de trilhas na Chapada, só corridas de rua. Fiquei com receio de participar, mas aceitei o desafio. Foi emocionante ver corredores de outros estados aqui. Tudo pra gente era novidade. O trail, as equipes e até os tênis. Chegamos a correr com botas de trekking… A organização ‘Corridas de Montanha’ nos deu a oportunidade de conhecer o esporte e deixou um legado na região. Muitos começaram a correr em montanha e hoje temos atletas em todas as cidades. E os da rua estão migrando para as montanhas.

Aqui na Chapada o terreno muda muito durante uma prova, especialmente se for uma prova longa. É importante acertar na escolha do tênis. No percurso há pedras, single track, trilha de terra, leito de rio. Até para mim ainda é um desafio. A vantagem é que há muito rio de água potável, então a hidratação não é um problema.

O cenário da prova chega a ser surreal em algumas partes. A pernada da Manga do Céu, as ruínas dos antigos garimpeiros e as estradas de pedras feitas são perfeitas para um trail raiz. O clima em setembro é seco, mas tem água em todos os riachos.

A prova é dura nas três distâncias, mas quem se arriscar nos 43K vai ter uma recompensa do tamanho do esforço. Para mim, sempre é uma superação completar este percurso numa total conexão com a natureza. E correr em casa é emocionante. Ver as crianças e os amigos gritando, te apoiando, te dando água… Choro toda vez que cruzo a linha de chegada.

Vale muito à pena vir correr aqui, mas é bom treinar em terrenos diferentes, escolher o equipamento certo para sofrer menos e conseguir curtir o cenário e conhecer os caras mais loucos da montanha.”