Papo de Corrida: entrevistamos Fernando Pessoa

Você certamente já viu os vídeos do canal Papo de Corrida. Parceiros do Campeonato Fluminense de Corridas de Montanha, Fernando, Theo e André já tinham uma relação com a natureza antes de decidirem cobrir, correndo, as provas de montanha. Conheça um pouquinho da história de cada um deles. Começamos com o professor de Geografia Fernando Amaro Pessoa, de 31 anos, morador de Niterói.

Quando e como começou a correr?

Comecei no início de 2016, porém sem muita regularidade e acompanhamento. Participei de apenas uma prova naquele ano, os 5K da Etapa Outono do Circuito das Estações. Nessa época alguns amigos começaram a correr e maior galera se inscreveu nessa prova… foi assim que comecei…

 

Que provas de asfalto te marcaram até hoje?

A Meia Maratona CAIXA do Rio, em junho de 2017. Nessa época eu já corria principalmente provas de montanha, mas usava o asfalto como teste para levar as distâncias para provas de trilha, o que faço ainda hoje. Não estava inscrito, mas cerca de duas semanas antes da prova abriu um lote extra e consegui participar… foi um grande desafio! Minha primeira meia maratona, num amanhecer espetacular da cidade do Rio de Janeiro! Sensações únicas que lembro perfeitamente.   

 

Como foi para as corridas de montanha?

Apesar da corrida, como esporte, ter aparecido somente em 2016, faço trilhas sistematicamente desde muito novo. Minha primeira trilha foi de bicicleta quando tinha ainda 12 anos de idade. De lá para cá não lembro de ter parado de fazer atividades em ambientes naturais e levar a corrida para as trilhas era uma questão de tempo. O fator decisivo foi ter marcado, em setembro de 2017, para fazer com alguns amigos a travessia Petrópolis-Teresópolis (Parque Nacional da Serra dos Órgãos) em um dia – são cerca de 30km com mais de 2.000m de ganho de elevação, o que me levou a começar a treinar um mês antes. O treino consistia num “cross training” duas vezes por semana em uma academia perto de casa, onde conheci vários corredores que me incentivaram bastante e hoje são verdadeiros amigos. Com o objetivo concluído, mantive os treinos e decidi participar das etapas do Campeonato Fluminense de Corridas de Montanha em 2017, com a ideia de manter pelo menos uma prova por mês… os percursos propostos me deixavam muito instigados! A primeira foi em Maromba e desde então não parei mais… Em 2018, novamente em Maromba, fiz minha primeira participação no canal do Papo de Corrida e aí a coisa deslanchou de vez. Muitas pessoas foram importantes nesse processo.

 

Que etapas do Circuito Corridas de Montanha já fez?

Das etapas propostas para o Campeonato Fluminense só não participei de Paraty, que é um dos objetivos para o segundo semestre desse ano. Já corri em Maromba, Ilha Grande, Teresópolis, Sana, Petrópolis, Maricá e Lumiar.

 

Qual a mais marcante?

Sem dúvidas a mais marcante foi a etapa Ilha Grande em março de 2017, quando fiz minha primeira prova no percurso médio, 12km. Essa prova me mostrou muito bem o que aquilo significava… toda a logística envolvida – transporte, hospedagem, alimentação – e interação com a galera com total imersão naquele desafio, sem contar que Ilha Grande é um lugar muito especial para mim por inúmeros motivos. Fiz aquela prova quase toda praticamente sozinho, com trechos de floresta e praias que te jogam numa reflexão extremamente saudável. Voltei esse ano no percurso longo e volto quantas vezes eu puder.

 

Qual a sensação de correr nas montanhas?

Para mim a grande sensação é o bem estar proporcionado pelo maior contato com a natureza associado a superação de seus próprios limites, sejam físicos, psicológicos ou até mesmo emocionais. As montanhas nos proporcionam isso… Hoje, além de correr montanhas eu também as estudo a partir da abordagem da geodiversidade (variação das rochas, relevo, rios e solos), e levo meus alunos, amigos e familiares sempre que possível para atividades em trilhas por acreditar na possibilidade de promover maior conscientização ambiental associada a uma vida ativa e saudável!

 

Quais as dificuldades?

Vejo duas como principais. O treino, afinal manter uma rotina adequada de treinos é fundamente e difícil; e o planejamento necessário para participar desse tipo de prova, desde questões financeiras até de tempo disponível.

 

Mas no fim é recompensador?

Com certeza! Cada treino e cada prova nos trazem perspectivas positivas para a nossa vida… nosso cotidiano! Isso é muito recompensador!

 

Sonha em fazer alguma prova específica?

As provas que ocorrem nas chapadas chamam muito minha atenção! Assim que for possível quero participar das etapas da Chapada dos Veadeiros e da Chapada Diamantina.

 

Quais os planos para o restante deste ano e 2019?

Para esse ano o plano é participar das etapas restantes do Campeonato Fluminense: Maricá, Petrópolis e Paraty. Assim, participarei de todas e se tudo der certo ainda mantenho a 1ª colocação na minha faixa etária.

Além disso, agora em junho acabei de fazer minha primeira maratona, a do Rio, e a ideia é levar essa distância para as trilhas.. A prova escolhida foi a XC RUN Búzios, que será realizada em outubro desse ano. Para o ano de 2019 o planejamento envolve o acompanhamento novamente de todas as etapas do Campeonato Fluminense de Corridas de Montanha e também a participação em alguma ultramaratona. Vamos ver no que vai dar!

 

E o Papo de Corrida, qual a repercussão dele?

O Papo de Corrida tem tido uma repercussão muito positiva, principalmente em provas de montanha, as quais possuem os vídeos com maior visualização e interação. A participação no canal também tem possibilitado um avanço muito positivo nos treinos a partir daquela famosa perspectiva de que “ninguém faz nada sozinho”. O projeto está crescendo bastante e a ideia é gerar um conteúdo de qualidade, seja para a galera que já corre como para aqueles que pretendem começar a correr provas de montanha ou asfalto.

 

As pessoas te reconhecem nas provas? 

Isso é bem legal! Na verdade acho que não temos a menor ideia da repercussão do conteúdo que geramos… mas já somos reconhecidos nas provas! Não só a gente… mas é comum ouvir falarem sobre o “tal do coelhinho” que está em tudo quanto é prova, rs! E é isso, vamos que vamos, porque o caminho está bacana e o que importa é o percurso!!!!!