Rui Rodrigues: de goleiro nas peladas para a ponta do ranking na faixa etária

Durante anos, o empresário Rui Rodrigues, de 64 anos, manteve a forma e sua boa qualidade de vida atuando como goleiro na pelada com os amigos. Até que, há uns cinco anos, em um de suas arrojadas defesas lesionou o ombro. Começava ali mais uma das tantas histórias que só a corrida pode proporcionar.

Depois de cinco anos de corridas de rua, Rui decidiu, em janeiro deste ano, se aventurar nas corridas de montanha e se inscreveu na etapa Maromba, na abertura do Campeonato Fluminense de Corridas de Montanha. Então…

“Comecei a correr tem uns 5 anos, após me lesionar no ombro, que me impedia de jogar futebol, pois eu era goleiro. Vinha fazendo só corridas de rua, na distância de 5K. Por curiosidade decidi fazer corridas de montanha. Falavam muito bem delas, que depois que se experimentamos não largamos mais.

Então…. Me inscrevi com a minha namorada para a Etapa de Maromba sem saber o que me aguardava. Mas só de saber que estaria diretamente em contato com a natureza, eu criava muita expectativa. Fomos para a corrida com a cara e a coragem. Sem hidratação correta ou tênis adequados. Depois de três quedas no rio, com muita garra conseguimos terminar juntos. Para nossa surpresa ficamos em primeiro nas nossas faixas etárias.

Com isso, ganhamos fôlego para a segunda etapa de Teresópolis. Foi muito selvagem e desgastante. Nos inscrevemos para os 8K do percurso curto, mas acabamos correndo 12,5K para problemas nas trilhas, que obrigaram a mudança do percurso. Conseguimos terminar, com a Mirian em primeiro e eu em segundo na nossa faixa etária. Com esses resultados, passamos a ocupar os primeiros lugares no Ranking do Campeonato Fluminense de Corridas de Montanha para a nossa faixa etária.

Veio a terceira etapa da Ilha Grande. Fui preocupado, pois não tinha me vacinado contra a febre amarela. Já começamos com a adrenalina lá em cima. Até o meio da corrida de 6K, eu e a Mirian vínhamos juntos e bem classificados. Ambos em primeiro na faixa etária. Após um descuido para me hidratar, a Mirian conseguiu colocar uns 20 metros na minha frente. Aí é que começou o meu drama. Ela se distanciou numa parte da corrida que era em descida. Perdemos o contato um com o outro. Na tentativa de tentar alcançá-la, errei uma transição na trilha e acabei indo no caminho errado.

Aí começou o meu desespero. A trilha terminou e tentei por três vezes voltar para a trilha certa cortando o caminho morro acima. Foi o meu erro. Já não tinha mais forças, então decidi ir para a praia, pois achava que seria melhor e mais tranquilo. Quando cheguei na água só via pedras e o portal da corrida a uns dois quilômetros de distância. Decidi ir pelo mar, nadando e andando pelas pedras até encontrar a trilha principal. Depois de mais de quarenta minutos, consegui terminar a prova em terceiro lugar. Foi um alívio. A falta de experiência nesse tipo de corrida ocasionou tudo isso. Mas aprendi uma grande lição: ao se perder numa corrida de montanha, retorne pelo mesmo caminho até encontrar a trilha certa. Nunca tente seguir achando que vai encontrar de novo a trilha.

Na próxima etapa, em Lumiar, serei mais cauteloso nas minhas decisões. Já me disseram que aprova será muito dura. Mas estou me preparando e espero retornar ao primeiro lugar do ranking”.